José Miguel Sardica: "A Notre Dame, a República e nós"
Um dos melhores livros que alguma vez li sobre a Idade Média foi «O Tempo das Catedrais», de Georges Duby. Não tinha de ser um historiador francês o seu autor, mas só um grande historiador francês, como Duby, o poderia ter feito tão bem. Porque a França medieval foi o reino-pátria das mais majestosas igrejas e mosteiros do tempo, desde as abadias de Cluny ou Cister às cinco grandes catedrais, de Paris, Reims, Chartres, Amiens e Saint-Étienne. Houve Gótico “radiante” um pouco por toda a Europa, mas a arquitetura religiosa francesa do tempo impôs-se pela sua especial concentração, beleza e capacidade de evocar a transcendência.
Vivemos hoje em sociedades secularizadas, se não mesmo de laicismo radical. A cristandade europeia de outrora já não se descortina nem sequer no substrato de valores da identidade do velho mundo. E em França, um dos maiores pilares da catolicidade até aos finais do século XVIII, a grande revolução introduziu um abrupto corte histórico, de descristianização jacobina, de culto à República e de laicidade institucional e mental que veio até hoje.
Artigo completo disponível na Renascença.
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