Todos conhecem Camilo, ninguém conhece Jorge
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A arte o que é da arte, à loucura o que é da loucura
Sabe-se pouco sobre Jorge, primeiro fruto do amor proibido de Camilo e Ana, que plantou a robínia e que, mesmo em adulto, “empoleirava-se em seus galhos para tranquilizar-se com a sua flauta e dali via os dias passar”, escreve Stefanie Gil Franco, curadora da exposição, no catálogo homónimo que a acompanha e no qual podemos encontrar a réplica dos 300 desenhos.
“Toda a informação que encontrava é que ele era o 'amado filho louco' de Camilo e Ana Plácido, mais nada além disso. Todo o mundo conhece Camilo, mas ninguém conhece Jorge”, comenta a investigadora, “e muito menos Nuno” -nascido um ano depois de Jorge e seis depois de Manuel, filho de Ana Plácido com Pinheiro Alves, que alguns autores apontam que será também filho de Camilo, embora o próprio nunca o tenha assumido como tal.
Atualmente investigadora de pós-doutoramento do Programa de Desenvolvimento Humano Integral da Universidade Católica Portuguesa e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da mesma instituição, Stefanie Gil Franco especializa-se no estudo da interceção entre arte e loucura, no qual mergulhou durante o mestrado, ainda no Brasil. “Durante o século XX, a doença mental vai sendo reconfigurada praticamente a cada década, com outras classificações e compreensões medico-psiquiátricas, mas também sociais”, reflete a curadora. A doença mental é uma questão psiquiátrica, a loucura é uma questão social – que encontramos na poesia, na música, no teatro, na arte como um todo. A loucura possibilita pensar de forma muito mais ampla a própria doença mental”.
Artigo completo disponível no Expresso